Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Mudanças climáticas podem revelar lixo nuclear que os EUA espalharam pelo mundo

Mudanças climáticas podem revelar lixo nuclear que os EUA espalharam pelo mundo

Durante a Guerra Fria, quando o uso da energia nuclear era uma questão de grande tensão, os militares dos EUA deixaram detritos radioativos em várias partes do mundo. Por décadas, muitos desses locais permaneceram longe do conhecimento público ou foram contidos de alguma forma. No entanto, as mudanças climáticas ameaçam agora trazer à tona novamente esse lixo nuclear, o que pode representar um perigo significativo.

Um recente relatório do Escritório de Responsabilidade do Governo norte-americano apontou três regiões ao redor do mundo onde a contaminação radioativa causada pelo país pode ser perturbada pelo impacto das mudanças climáticas. 

Os locais problemáticos estão nas Ilhas Marshall, nação insular da Oceania no Pacífico, na cidade de Palomares, na Espanha, e em uma antiga base de pesquisa militar no Ártico, na Groenlândia.

Neste último, os militares estadunidenses mantinham uma base de pesquisa científica chamada Camp Century. O lugar era o coração do Projeto Iceworm, um plano sinistro para estabelecer locais de lançamento de mísseis nucleares escondidos sob o gelo do Ártico. 

Esses planos não foram concretizados, mas a base abrigava um pequeno reator nuclear, deixando para trás sua própria marca de radiação. Embora os resíduos tenham sido enterrados profundamente sob o gelo em 1967, o rápido derretimento do gelo na Groenlândia levanta preocupações sobre a exposição futura desses resíduos.

Um estudo recente revelou que o derretimento do gelo poderia expor os resíduos radioativos até 2100, aumentando o risco de contaminação ambiental. Isso é especialmente preocupante considerando que não foram feitos planos claros para lidar com a contaminação na área, o que poderia ter sérias consequências para as pessoas que vivem na região.

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