
De acordo com informações divulgadas em painel na conferência anual da União Americana de Geofísica (AGU), um amplo aumento do nível do mar ocorrido no século XV levou os vikings a deixarem a Groenlândia – uma consequência direta do aquecimento global.
Segundo o painel, o nível mais alto do mar acabou inundando regiões de fazenda em áreas como Eystribyggð e Vestribyggð – ambas foram bem sucedidas durante séculos. Mas do século XV em diante, sinais da vivência nórdica em ambas as comunidades desapareceram dos registros históricos, sugerindo um êxodo que, até então, tinha motivos desconhecidos.
No painel, apresentado na última quarta-feira (15), os dados indicaram que as mudanças climáticas causaram o referido aumento do mar. As águas subiram a ponto de sumirem com as fronteiras litorâneas e invadindo zonas interiores, inutilizando os meios de sustento da população.
Segundo os registros históricos, os vikings chegaram à Groenlândia em 985, sob o comando de Erik Thorvaldsson (Eric, o Vermelho), um explorador norueguês que havia sido exilado da Islândia. Antes disso, a região já era habitada pelo povo Dorset, precursores dos Inuit das regiões árticas.
Entre os séculos XIV e XIX, uma temperatura mais fria acometeu o hemisfério norte da Terra. Consequentemente, as calotas polares se expandiram e uma camada mais grossa de gelo cobriu a Groenlândia, literalmente deixando a região continental mais pesada, segundo Marisa Julia Borreggine, estudante de doutorado da Universidade de Harvard e apresentadora do painel.
Conforme o gelo avançava, as áreas litorâneas – justamente onde os vikings haviam assentado suas comunidades – tornaram-se mais vulneráveis a alagamentos. Paralelamente, a força gravitacional vinda do encontro entre as águas oceânicas e as camadas de gelo se traduziram em maiores infiltrações dos mares nas praias.
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