Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Neuralink se aproxima de testes humanos e preocupa especialistas

Neuralink se aproxima de testes humanos e preocupa especialistas

Elon Musk vai acabar arrumando uma briga com a comunidade científica: com o bilionário anunciando a intenção de implantar chips no cérebro humano (por meio de sua startup Neuralink) ainda em 2022, experts não puderam evitar se mostrar alarmados com a ideia.

Falando ao Daily Beast, diversos especialistas em neurociência expressaram preocupações com o avanço exageradamente rápido da tecnologia desenvolvida pela empresa de Musk, que começou a ser implantada em porcos e já possibilita que macacos joguem videogame. Segundo eles, contudo, talvez a humanidade não esteja pronta para esse salto e o assunto deva ser melhor pesquisado e discutido antes de qualquer ação prática.

“Eu não acho que existe um discurso público suficiente no que tange às implicações majoritárias que essa tecnologia [pode trazer]”, disse ao jornal a Dra. Karola Kreitmair, professora assistente de Bioética na Universidade de Wisconsin-Madison. “Eu me preocupo com a possibilidade de haver um ‘casamento desconfortável’ entre uma empresa focada em seus lucros, e essa intervenções médicas que, torço eu, estejam aqui para ajudar as pessoas”.

Recentemente, Musk confirmou que a Neuralink contratou um diretor de testes clínicos para ajudar nessa transição da avaliação da tecnologia de animais para humanos. O objetivo da empresa de cinco anos de idade é o de, antes, implantar o chip (pouco maior que uma moeda) nos cérebros de pessoas com dificuldades motoras, como tetraplégicos. A ideia não é fazer uma pessoa que não anda voltar a andar – está mais para “alguém incapaz de se mexer controlar seu computador com a mente”.

Entretanto, o próprio Elon Musk já enalteceu desejos maiores, mencionando coisas como “impedir a humanidade de cair no esquecimento” por meio de “download e upload da consciência” em máquinas.

“Por todos os lados, esses são produtos de um nicho bem fechado — se falamos somente de desenvolvê-los para indivíduos paralisados, então o mercado é pequeno, mas os dispositivos serão muito caros”, disse a Dra. L. Syd Johnson, professora associada do Centro de Bioética e Humanidade da Universidade de Medicina SUNY, em Nova York.

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