Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

“Nós vamos perder a Amazônia”, diz climatologista sobre aquecimento global

“Nós vamos perder a Amazônia”, diz climatologista sobre aquecimento global

O aumento da temperatura média global está muito perto de superar a marca de 1,5 °C. Este foi o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, assinado por dezenas de países há dez anos. É o que aponta um novo estudo publicado na revista Earth System Science Data (ESSD).

A pesquisa trabalha com conceito chamado “orçamento de carbono“. Ou seja, o limite de gases do efeito estufa que pode ser emitido para manter probabilidade de 50% de não passarmos da marca de 1,5 °C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais.

O Olhar Digital conversou com o climatologista Carlos Nobre, Professor Titular da Cátedra de Clima e Sustentabilidade da Universidade São Paulo (USP) e copresidente do Painel Científico para a Amazônia. Ele reforçou que o tempo para agir está se esgotando.

“O risco futuro é o que a Ciência está indicando agora. A Organização Meteorológica Mundial [OMM] também lançou relatório muito importante, dizendo que a probabilidade de a gente atingir permanentemente 1,5 °C antes de 2030 é muito alta se a gente continuar com as emissões dos gases de efeito estufa”, explicou.

“[O estudo] está indicando que o máximo que a gente pode emitir para ficar abaixo de 1,5 °C seria na ordem de 130 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. [Hoje] nós estamos emitindo mais de 50 bilhões por ano. Então, em três anos, nós já passaríamos esse limite.”

“Como eu falei, a Ciência está tentando explicar muito como que a gente aumentou a temperatura, de 0,35 °C, de 2022 para 2024. O El Niño desapareceu em abril, mas a temperatura continua muito quente, bateu o recorde em grande parte dos oceanos e, portanto, esse é um gigantesco risco“, frisou Nobre.

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