Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Novas imagens mostram cometa “dourado” se desintegrando após encontro com o Sol

Novas imagens mostram cometa “dourado” se desintegrando após encontro com o Sol

Descoberto em maio do ano passado pelo Sistema de Último Alerta para Impacto de Asteroides com a Terra (ATLAS), financiado pela NASA, o cometa C/2025 K1 (ATLAS) chamou a atenção de observadores pelo tom incomum dourado com nuances vermelho-acastanhadas – bem diferente da maioria dos cometas, que são verdes ou azuis.

Após atingir o periélio (ponto mais próximo do Sol) em 8 de outubro, o objeto começou a se desintegrar em razão da forte gravidade do Sol e da pressão do vento solar (fluxo constante de partículas emanadas da estrela), conforme mostraram registros obtidos em meados de novembro por telescópios em solo.

Agora, a equipe científica do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica e Infravermelha, financiado pela Fundação Nacional de Ciência (NSF) dos EUA, divulgou novas capturas, feitas nos dias 11 de novembro e 6 de dezembro.

A cor rara está ligada à composição química incomum do cometa, que tem origem na Nuvem de Oort (uma região muito distante do Sistema Solar, repleta de pequenos corpos gelados). Ele apresenta concentrações extremamente baixas de compostos de carbono, normalmente encontrados em outros cometas. 

Segundo o astrônomo David Schleicher, do Observatório Lowell, centro de pesquisa astronômica em Flagstaff, Arizona, EUA, gases como o CN (uma molécula formada por carbono e nitrogênio que normalmente dá cor verde aos cometas) estavam em níveis excepcionalmente baixos. Essa ausência resultou no tom dourado observado no fim de outubro.

Em registros mais recentes, o “dourado” ainda pode ser percebido, mas é mais sutil, fragmentado e dependente de quais instrumentos astronômicos são usados nas observações. Como o brilho geral diminuiu, a coloração dourada já não é tão uniforme nem tão intensa.

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