
Uma lacuna que perdurava na astronomia há décadas pode ter sido preenchida pela Universidade de Cambridge, cujos pesquisadores afirmam em pesquisa ter criado um novo método de observação que permite detectar e enxergar a luz das primeiras estrelas do universo.
Observar corpos que vieram logo após o Big Bang é um objetivo almejado por toda a astronomia desde que os trabalhos do setor começaram, uma vez que isso pode explicar como vieram as coisas que conhecemos entre a explosão que deu origem a tudo e a evolução dos objetos celestiais em relação ao que vemos hoje.
Segundo vários estudos, cerca de 375 mil anos após o Big Bang, havia densas nuvens de hidrogênio que, milhões de anos mais tarde, dariam origem às primeiras estrelas – as quais chamamos de “Estrelas de População III”, e elas eram extremamente massivas, luminosas e praticamente não tinham metais em suas composições químicas.
Infelizmente, dentro da tecnologia atual, é praticamente impossível observarmos sinais advindos dessas estrelas, tendo em vista que as nuvens de hidrogênio atuais são bem espessas e barram a maior parte da nossa capacidade de visão. Mas o time de Cambridge pode ter desenvolvido um contorno para esse problema.
O método é parte do experimento conhecido como “REACH” (sigla para “Radio Experiment for the Analysis of Cosmic Hydrogen”) e, de uma forma bem resumida, sugere que astrônomos procurem por sinais de rádio cerca de 100 mil vezes mais fracos que os sinais comuns, analisando como eles interagem com as nuvens de hidrogênio – imagine que você está procurando por silhuetas de pessoas através de uma forte neblina e você vai entender a ideia.
Segundo os primeiros resultados, o método promete melhorar grandemente a confiabilidade e qualidade das observações feitas por telescópios de rádio, e os primeiros experimentos científicos dentro desse paradigma devem começar a aparecer ainda neste ano.
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