
Conhecidos por sua inteligência e perspicácia, os polvos nem sempre foram vistos assim. Há mais de 2 mil anos, o filósofo grego Aristóteles acreditava que esses animais eram idiotas. Porém, o desenvolvimento da ciência provou o contrário.
“O polvo é uma criatura estúpida, pois se aproxima da mão de um homem se for mergulhada na água”, declarou o pensador em sua obra História dos Animais, escrita no século IV a.C.
Para o filósofo, o polvo tinha vida curta e uma curiosa tendência a se dissolver em líquido. Aristóteles acreditava que, ao ser batido e espremido, o animal perderia sua substância até desaparecer por completo.
“A fêmea, depois [de botar os ovos], está particularmente sujeita a isso […], torna-se estúpida; se sacudida pelas ondas, submete-se impassivelmente; um homem, se mergulhasse, poderia pegá-la com a mão; ela se cobre de lodo e não faz nenhum esforço para capturar sua presa habitual”, escreveu o pensador.
As ideias aristotélicas sobre o polvo prosseguiram por séculos. Elas foram repetidas cerca de 400 anos depois por Plínio, o naturalista romano autor de História Natural, mas com ressalvas: “embora [seja] considerado um animal estúpido em outros aspectos […] ele tem um certo tipo de sentido em sua economia doméstica”.
Para a ciência moderna, os argumentos de Aristóteles apresentam um problema. O impulso de um polvo em investigar uma mão humana é visto como curiosidade, não mais como estupidez.
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