Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

O erro que Aristóteles cometeu sobre os polvos

O erro que Aristóteles cometeu sobre os polvos

Conhecidos por sua inteligência e perspicácia, os polvos nem sempre foram vistos assim. Há mais de 2 mil anos, o filósofo grego Aristóteles acreditava que esses animais eram idiotas. Porém, o desenvolvimento da ciência provou o contrário.

“O polvo é uma criatura estúpida, pois se aproxima da mão de um homem se for mergulhada na água”, declarou o pensador em sua obra História dos Animais, escrita no século IV a.C.

Para o filósofo, o polvo tinha vida curta e uma curiosa tendência a se dissolver em líquido. Aristóteles acreditava que, ao ser batido e espremido, o animal perderia sua substância até desaparecer por completo.

“A fêmea, depois [de botar os ovos], está particularmente sujeita a isso […], torna-se estúpida; se sacudida pelas ondas, submete-se impassivelmente; um homem, se mergulhasse, poderia pegá-la com a mão; ela se cobre de lodo e não faz nenhum esforço para capturar sua presa habitual”, escreveu o pensador.

As ideias aristotélicas sobre o polvo prosseguiram por séculos. Elas foram repetidas cerca de 400 anos depois por Plínio, o naturalista romano autor de História Natural, mas com ressalvas: “embora [seja] considerado um animal estúpido em outros aspectos […] ele tem um certo tipo de sentido em sua economia doméstica”.

Para a ciência moderna, os argumentos de Aristóteles apresentam um problema. O impulso de um polvo em investigar uma mão humana é visto como curiosidade, não mais como estupidez.

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