Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

O evento que dizimou milhões de aves marinhas

O evento que dizimou milhões de aves marinhas

Em 2014, um fenômeno sem precedentes quase dizimou uma espécie inteira de aves marinhas. Conhecido como “Blob” (ou Bolha, na tradução para o português), o evento climático consistiu em uma massa de água quente que matou 4 milhões de airos-comuns (Uria aalge) no Alasca.

Em um estudo publicado na revista Science em dezembro de 2024, pesquisadores investigaram Blob e seus efeitos no norte do Oceano Pacífico. O fenômeno durou dois anos, até 2016 – e, a partir de 2015, colônias inteiras das aves marinhas começaram a morrer de fome.

Em um comunicado (também de 2024), Brie Drummond, coautora do estudo, detalhou a investigação do desaparecimento dos airos-comuns. “A princípio, pensamos que as aves não tinham aparecido para procriar, mas voltariam no ano que vem. A equipe biológica [do Refúgio Nacional de Vida Selvagem Marítima do Alasca] teve que ajustar nossos protocolos devido à baixa frequência e à falha na reprodução. Quase nenhuma das aves havia posto ovos.”

O fenômeno foi, eventualmente, relacionado à Blob. A massa de água quente se espalhou pelo Mar de Bering até o Golfo do Alasca, e dizimou, ao longo de dois anos, ecossistemas e espécies marinhas, impactando diretamente na cadeia alimentar de vários animais – principalmente os airos.

As aves, quando não morriam de fome, se tornavam fracas demais para a reprodução, e a espécie ficou sob sério risco de ser totalmente dizimada da face da Terra. “Sabíamos imediatamente que se tratava de uma mortandade sem precedentes. Só não sabíamos o quão grande”, contou Heather Renner, também coautora do estudo.

Até 2023, sete anos após o fim da Blob, a recuperação das colônias de airos-comuns não chegava nem perto do esperado. As estimativas apontam que cerca de quatro milhões de aves da espécie – 50% da população do Alasca – morreram de fome por conta do fenômeno.

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