Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Obra mais cara de Van Gogh reproduz a física da atmosfera com precisão surpreendente

Obra mais cara de Van Gogh reproduz a física da atmosfera com precisão surpreendente

Pintada por Vincent van Gogh em 1889, a obra “A Noite Estrelada” é amplamente reconhecida por sua beleza e impacto visual. No entanto, além de ser uma peça icônica do pós-impressionismo e a mais cara da coleção do pintor, estudos recentes sugerem que as pinceladas do artista capturam com precisão fenômenos físicos relacionados à turbulência.

O céu turbulento e rodopiante retratado na pintura parece refletir uma compreensão intuitiva da dinâmica dos fluidos da atmosfera terrestre e, possivelmente, de fenômenos presentes em todo o Universo.

Uma nova análise conduzida por cientistas da Universidade de Xiamen, na China, revelou a consistência entre as pinceladas de van Gogh na obra com as leis da turbulência atmosférica. “A pintura revela uma compreensão profunda e intuitiva dos fenômenos naturais”, afirma em comunicado o físico Yongxiang Huang, um dos autores do estudo. 

Ele sugere que o artista captou o movimento das nuvens e a turbulência da atmosfera por meio de observação cuidadosa ou por uma percepção inata de como representar o dinamismo dos céus.

Embora presente ao nosso redor, a turbulência atmosférica nem sempre é visível a olho nu. A atmosfera da Terra é um fluido em constante movimento, onde o ar e as nuvens estão sujeitos a forças que criam fluxos turbulentos. Esses movimentos, chamados redemoinhos, são difíceis de mapear sem instrumentos que capturam seus padrões complexos. Apesar disso, van Gogh, com seu estilo único, parece ter conseguido reproduzir essas dinâmicas de maneira quase cirúrgica.

Apesar de não ser possível medir diretamente a turbulência representada em “A Noite Estrelada”, a equipe de pesquisadores liderada pelo físico Yinxiang Ma utilizou uma imagem digital de alta resolução da obra para realizar sua análise. A meta era verificar se as espirais e redemoinhos na pintura seguiam padrões descritos pelo matemático soviético Andrey Kolmogorov, cuja teoria, formulada na década de 1940, descreve como a energia se dissipa em sistemas turbulentos.

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