Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Oceanos estão escurecendo e isso é um problema, diz pesquisa

Oceanos estão escurecendo e isso é um problema, diz pesquisa

Pesquisa revela que mais de um quinto dos oceanos globais escureceu nas última duas décadas. Esse fenômeno ocorre quando as propriedades ópticas dos mares diminuem a profundidade das “zonas fóticas”, locais onde a chegada da luz solar e lunar é fundamental para a vida marinha.

O estudo está publicado na revista Global Change Biology. Os cientistas utilizaram dados do Ocean Colour Web, um instrumento da NASA que divide os oceanos globais em setores de 9 quilômetros quadrados. Com isso, puderam analisar as mudanças anuais na profundidade das regiões iluminadas dos mares ao redor do globo. 

As zonas fóticas são o lar de 90% dos animais dos oceanos e suportam a fotossíntese, processo responsável pelo crescimento de algas e plantas – base da cadeia de alimentação nos mares. As diferentes interações entre os humanos e os organismos marinhos também estão em risco com a diminuição dessas zonas, segundo os cientistas.

“Dependemos do oceano e de suas zonas fóticas para o ar que respiramos, os peixes que comemos, nossa capacidade de combater as mudanças climáticas e para a saúde e o bem-estar geral do planeta. Levando tudo isso em consideração, nossas descobertas representam um motivo genuíno de preocupação”, disse o doutor Thomas Davies, professor de Conservação Marinha na Universidade de Plymouth e autor do artigo, em um comunicado.

A equipe descobriu que entre 2003 e 2022, 21% dos oceanos globais se tornaram mais escuros. Além disso, 9% de toda a cobertura de água mundial – área próxima a do continente africano – apresentou uma redução de cerca de 50 metros em suas zonas fóticas e 2,6% teve uma diminuição acima de 100 metros.

“Se a zona fótica continuar diminuindo em cerca de 50m em grandes áreas do oceano, os animais que precisam de luz serão forçados a se aproximar da superfície, onde terão que competir por alimento e outros recursos de que necessitam. Isso pode causar mudanças fundamentais em todo o ecossistema marinho”, explicou o professor Tim Smith, do Laboratório Marinho de Plymouth.

Compartilhe