Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

“Panquecas” na superfície de Vênus revelam característica peculiar da crosta

“Panquecas” na superfície de Vênus revelam característica peculiar da crosta

Vênus é conhecido por seus vulcões incomuns, apelidados de “cúpulas em forma de panqueca”. Essas formações são grandes e achatadas, parecendo vergões circulares que se erguem da superfície. Um estudo publicado este mês no Journal of Geophysical Research: Planets sugere que essas estruturas não resultam apenas da lava, mas também da flexibilidade da crosta do planeta, que afunda com o peso.

Mais de 1.600 grandes formações vulcânicas já foram encontradas em Vênus. Entre elas, as cúpulas de panqueca chamam atenção por sua forma: largas, com dezenas de quilômetros de diâmetro, mas com altura pequena, semelhante a uma panqueca achatada. Elas lembram uma versão esmagada do monte Mauna Loa, no Havaí, o maior vulcão ativo da Terra.

Ainda não se sabe exatamente como essas cúpulas se formam. Uma das teorias é que são criadas por lava extremamente viscosa, ou seja, muito espessa e pegajosa. Esse tipo de lava flui lentamente até parar completamente, formando essas estruturas achatadas ao se solidificar com o tempo.

Mas os autores do novo estudo acreditam que a lava, sozinha, não explica tudo. Segundo Madison Borrelli, pesquisadora do Instituto de Tecnologia da Geórgia e líder da equipe, a forma da crosta superior de Vênus também tem papel importante. Essa crosta pode se curvar sob o peso da lava, como a casca de uma laranja afundando quando pressionada.

Ela explicou ao site Live Science que se essa curvatura da crosta acontece junto da formação das cúpulas, ela pode deixar sinais visíveis, como uma elevação ao redor da estrutura. Em um estudo anterior, de 2021, Borrelli encontrou esses sinais em cerca de 20% das cúpulas de panqueca analisadas. Isso reforça a ideia de que a crosta de Vênus ajuda a moldar os vulcões.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores estudaram uma cúpula específica chamada Narina Tholus, que tem 55 km de largura e está localizada em uma região circular chamada Coroa Aramaiti. Essa cúpula foi escolhida porque tem dados topográficos detalhados coletados pela sonda Magellan, da NASA, na década de 1990.

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