
Se você reconhece o nome do planeta “Tattoine”, então, como muitos de nós, você também é fã da franquia multimídia “Star Wars”, de George Lucas. E talvez você até já saiba que temos uma “versão real” dele: o exoplaneta Kepler-16b, a 200 anos-luz de distância da Terra, foi observado recentemente por um telescópio de pequeno porte – algo que especialistas da astronomia consideram um marco bastante importante.
Assim como sua contraparte fictícia, o Kepler-16b está orbitando entre duas estrelas no sistema quase homônimo – “Kepler-16” – localizado na constelação Cygnus (Cisne). Originalmente, ele foi descoberto em 2011, durante a missão Kepler, por meio do chamado “método de trânsito”: ao observar uma das estrelas do sistema, a sonda a viu escurecer – um efeito direto da passagem de um planeta entre a visão da sonda e o astro monitorado.
Agora, no entanto, esse “planeta de Star Wars” foi novamente observado, desta vez por um modesto telescópio terrestre de pouco mais de 75 polegadas (1,93 metro), localizado no Observatoire de Haute-Provence, a mais ou menos 60 quilômetros (km) de Marselha, na França.
Ao contrário do método de trânsito, essa “reobservação” do Kepler-16b se deu pelo “processo de velocidade radial”, que analisa os efeitos gravitacionais gerados por um planeta sobre sua estrela. Imagine um “tranco” de quando você puxa algo com força e você vai entender.
De acordo com Amaury Triaud, um pesquisador de exoplanetas da Universidade de Birmingham, o fato do planeta ter sido visto com um telescópio terrestre é algo de “maior eficiência e menor custo” do que uma nave ou artefato lançado ao espaço. A ideia agora é continuar a pesquisa dentro deste formato, na expectativa de encontrar exoplanetas desconhecidos de categoria “circumbinária” – nome dado pela equipe da pesquisa para exoplanetas que orbitam duas estrelas.
Isso porque o senso científico comum diz que planetas são formados em discos ao redor de uma única estrela – uma região conhecida como “disco protoplanetário”. Mas a formação planetária em sistemas binários – ou seja, onde duas estrelas atuam em conjunto – ainda nos é um mistério.
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