Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Planetas “desonestos” podem ser expulsos por sistemas binários e são mais comuns do que se pensava

Planetas “desonestos” podem ser expulsos por sistemas binários e são mais comuns do que se pensava

Planetas que vagam sozinhos pelo espaço interestelar — sem ligação com nenhuma estrela — podem não ser tão raros quanto se imaginava. Um novo estudo em formato de pré-publicação, divulgado no repositório científico arXiv em 1º de maio deste ano, sugere que esses chamados “planetas flutuantes livres” (ou planetas ‘desonestos’) podem surgir com frequência a partir de interações violentas dentro de sistemas planetários jovens.

A pesquisa, liderada por Xiaochen Zheng, do Planetário de Pequim, propõe que muitos desses mundos são, na verdade, “expulsos” de seus sistemas de origem. O mecanismo envolve a ação gravitacional de estrelas companheiras em sistemas binários, capazes de desestabilizar órbitas planetárias ao longo de milhões de anos.

Segundo as simulações apresentadas no estudo, essas perturbações podem levar planetas distantes a cruzar regiões internas do sistema, onde interagem com outros corpos planetários. Em certos casos, essas trocas gravitacionais são suficientes para arremessar planetas inteiros para o espaço, transformando-os em viajantes interestelares.

A pesquisa, intitulada “Um mecanismo de lançamento robusto para planetas flutuando livremente a partir de estrelas hospedeiras com planetas próximos”, ainda não passou por revisão por pares e está disponível apenas como pré-print no arXiv neste link.

De acordo com os autores, o processo é intensificado em sistemas com estrelas binárias, nos quais o mecanismo conhecido como von Zeipel–Lidov–Kozai pode deformar gradualmente a órbita de planetas mais distantes. Com o tempo, essas órbitas tornam-se altamente excêntricas, fazendo com que os planetas avancem para regiões internas do sistema.

Nessas regiões, ocorre o que os pesquisadores descrevem como uma espécie de “bilhar cósmico”: encontros próximos entre planetas que resultam em trocas de energia orbital. Em muitos casos, esse intercâmbio é suficiente para ultrapassar a velocidade de escape do planeta afetado, expulsando-o definitivamente do sistema estelar.

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