
No escritório de Hiroya Yamaguchi, professor associado do Instituto de Ciências Espaciais e Astronáuticas do Japão, uma lousa cheia de estrelas, espaçonaves e linhas espectrais cobre quase toda a área disponível, com um verdadeiro esboço do Universo.
Nesse ambiente repleto de ideias, Yamaguchi falou com o site Space.com sobre a XRISM (sigla em inglês para Missão de Imagem e Espectroscopia de Raios X), uma colaboração entre a NASA, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) e a Agência Espacial Europeia (ESA).
Gerando muita expectativa, a espaçonave XRISM foi lançada em 6 de setembro de 2023. Os dois telescópios de raios X anteriores da JAXA, Suzaku e Hitomi, enfrentaram problemas: o primeiro teve uma missão de imagem bem-sucedida apesar de falhas iniciais, mas o segundo se desintegrou após sua primeira captura.
Até agora, o observatório XRISM tem funcionado bem, fornecendo dados surpreendentes desde a primeira luz, em janeiro. No entanto, existe um problema: a porta de abertura do seu principal instrumento, o espectrômetro de raios X suave chamado Resolve, não abriu. Tentativas de abrir a porta falharam, e a NASA e a JAXA discutem a melhor forma de operar a espaçonave nos próximos 18 meses até tentar novamente.
A situação cria um dilema para os especialistas: tentar abrir a porta pode danificar o telescópio, mas deixá-la fechada impede a coleta de alguns dados cruciais. Os raios X permitem estudar fenômenos energéticos do Universo, mas a atmosfera terrestre bloqueia esses raios, tornando os telescópios espaciais essenciais. “Estamos desvendando a composição do Universo”, diz Aurora Simionescu, astrofísica do Instituto Holandês de Pesquisa Espacial.
Existem mais de 10 telescópios de raios X no espaço, sendo o Chandra, da NASA, um dos mais conhecidos. A XRISM, com sua capacidade de ver espectros de raios X mais detalhados, espera ter um impacto semelhante.
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