Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Prata está se acumulando no fundo do mar – entenda o fenômeno

Prata está se acumulando no fundo do mar - entenda o fenômeno

Um novo estudo aponta que a quantidade de prata presa em sedimentos marinhos na costa do Vietnã aumentou de forma acentuada desde 1850. O fenômeno coincide com o início da Revolução Industrial, quando os humanos começaram a emitir grandes quantidades de gases de efeito estufa para a atmosfera.

A prata se origina na terra e acaba nos oceanos principalmente por meio do intemperismo, processo de desgaste natural das rochas. A água então acaba levando estes sedimentos para os rios.

Certas regiões do oceano são ricas em prata devido a fortes entradas fluviais, poeira atmosférica, emissões humanas e fontes hidrotermais. O problema é que este elemento é tóxico para criaturas marinhas, mas muito pouco se sabe sobre como ele interage com os ecossistemas oceânicos mais amplos.

Para entender o que está acontecendo pesquisadores analisaram um núcleo de sedimentos da área de ressurgência do Vietnã no leste do Mar da China Meridional. As áreas de ressurgência são regiões costeiras onde a água fria sobe do fundo do mar, transportando nutrientes das profundezas que sustentam ricos ecossistemas de superfície.

De acordo com o estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, o aumento da temperatura da água e os ventos costeiros, que se combinam para aumentar a intensidade da ressurgência, estão sendo impulsionados pelas mudanças climáticas. Isso leva a mais nutrientes subindo à superfície, aumentando a abundância de algas que alimentam toda a cadeia alimentar.

Altos níveis de prata dissolvida nessas regiões podem significar que os organismos absorvem mais prata do que em outros lugares. Quando eles finalmente morrem e afundam, a substância acabando ficando depositada no fundo do mar. Para os cientistas, se isso estiver acontecendo em escala global, pode acabar causando o envenenamento dos ecossistemas oceânicos.

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