Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Pulsar “fora da lei” é encontrado nos confins da Via Láctea

Pulsar “fora da lei” é encontrado nos confins da Via Láctea

Astrônomos descobriram um intrigante sistema espacial: um pulsar “fugindo” dos restos da explosão de uma supernova. Chamado de Calvera, essa conjunto de astros impressionou a equipe por estar em uma região vazia da Via Láctea, onde eventos dessa magnitude são extremamente raros.

Esse sistema está localizado a 6,5 mil anos-luz acima do disco densamente povoado de nossa galáxia, um local onde populações estelares são escassas. Por isso foi nomeado de Calvera, uma referência ao vilão do filme “Os Sete Magníficos”, de 1960, já que esse cenário estelar, com um pulsar e uma supernova, está “fora da lei” como o antagonista desse enredo de velho-oeste.

Os restos de supernova que compõem o sistema foram identificados em 2022, com o telescópio Low-Frequency Array (LOFAR). Dentre esses destroços, há um pulsar (uma estrela de nêutrons que gira rapidamente, cerca de 700 voltas por segundo), que os astrônomos também nomearam de Calvera.

Análises anteriores da trajetória desse pulsar revelaram que ele aparenta estar se afastando do centro da explosão da supernova. Isso sugere que os destroços do estouro cósmico, na forma de uma mancha de gás e poeira em expansão, e a estrela de nêutrons em fuga estão conectados, tendo origem na morte de uma estrela massiva há milhões de anos.

No novo estudo, os pesquisadores se aprofundaram na história desse sistema. Com dados de raio-x coletados pela espaçonave XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), a equipe estimou a distância, idade e as características da estrela massiva que explodiu em supernova, deixando o pulsar de Calvera e os remanescentes da explosão.

O grupo calculou, a partir do gás quente no sistema e o movimento da estrela, que a explosão ocorreu entre 10 e 20 mil anos atrás e Calvera está entre 13 e 16,5 mil anos-luz de distância da Terra. As descobertas foram publicadas na revista científica Astronomy & Astrophysics.

Compartilhe