Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de fevereiro de 2023 · 2 min de leitura ·

Rara morte “tranquila” de uma estrela pode trazer uma grande surpresa

Rara morte “tranquila” de uma estrela pode trazer uma grande surpresa

Um artigo publicado na quarta-feira (1º) na revista Nature descreve a descoberta de uma supernova diferente: uma estrela transferiu tanto material para sua companheira em um sistema estelar binário que sua morte não provocou uma explosão violenta feito uma bomba, como se costuma observar.

Em vez disso, SGR 0755-2933 chegou ao fim da vida em um evento semelhante a fogos de artifício se esvaindo pelo espaço. Astrônomos identificaram os restos desse fenômeno a 11,4 mil anos-luz da Terra, na constelação de Puppis (ou Popa), localizada no hemisfério celestial sul. 

Segundo os cientistas, o fato de ter transferido quantidades anormalmente altas de massa para sua companheira fez com que a estrela moribunda não tivesse retido material suficiente para uma morte explosiva. 

Assim, ela terminou em uma supernova silenciosa “ultra-despojada”, um evento cósmico raro que deixa em seu rastro um remanescente superdenso chamado estrela de nêutrons.

“Este notável sistema binário é essencialmente um sistema de um em 10 bilhões”, disse André-Nicolas Chené, astrônomo do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha dos EUA (NOIRLab), coautor do novo estudo, em um comunicado.

A estrela de nêutrons e sua companheira em órbita próxima – um corpo que os pesquisadores preveem que um dia também entrará em colapso para se tornar uma estrela de nêutrons – marcam o primeiro exemplo claro de um sistema estelar que acabará por desencadear uma quilonova: uma explosão cósmica por meio da qual duas estrelas de nêutrons se fundem.

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