
Há algumas semanas, o Olhar Digital contou a história de David Hahn, um norte-americano já falecido que em 1995, aos 17 anos, construiu um reator nuclear no quintal de sua residência, colocando em risco a vida de mais de 40 mil pessoas com seu experimento, ao manipular produtos radioativos de forma imprudente.
As autoridades locais do município de Commerce Township, em Michigan, precisaram intervir para que o desfecho não fosse trágico. O garoto, que ficou conhecido como “Escoteiro Radioativo”, era fascinado por ciência desde a infância. Ele passou a estudar química com apenas 10 anos e, aos 14, chegou a fabricar nitroglicerina, um composto altamente explosivo.
Como Hahn acabou danificando o seu quarto com os experimentos, seus pais ordenaram que ele transferisse seu “laboratório” para o galpão que ficava no quintal. Foi nesse espaço que o garoto começou a construir um reator nuclear caseiro.
Para isso, o jovem utilizou quatro elementos químicos acessíveis. Ele coletou tório (de lanternas); rádio (de relógios); trítio (de miras noturnas para armas) e lítio (que ele conseguiu ao comprar mil dólares em pilhas). Além disso, contou com o auxílio de filtros de café e potes de picles para manusear esses produtos químicos perigosos e potencialmente mortais.
Assim, Hahn criou uma fonte de nêutrons rudimentar, incapaz, no entanto, de produzir combustível fissionável na taxa de outros reatores. Mesmo assim, o estrago já estava feito: embora não tenha conseguido atingir o objetivo, o dispositivo já estava espalhando radiação detectável em uma área que cobria várias casas da vizinhança.
De acordo com Luiz Antonio Andrade de Oliveira, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), câmpus de Araraquara, o perigo da combinação usada por Hahn não está nas reações químicas desses elementos, mas sim na radiação liberada.
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