Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Rocha que caiu de Marte pode mudar nossa compreensão sobre o surgimento dos planetas

Rocha que caiu de Marte pode mudar nossa compreensão sobre o surgimento dos planetas

Um pequeno pedaço de rocha vindo de Marte, que caiu na Terra há mais de 200 anos, contém informações que podem mudar tudo o que se sabe até hoje sobre nosso vizinho. Não só isso: novas análises do meteorito Chassigny sugerem que a forma como o planeta obteve seus compostos orgânicos voláteis (COV) – como carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e gases nobres – contradiz, de maneira geral, nossos modelos atuais de formação planetária.

De acordo com os modelos atuais, planetas nascem de sobras de estrelas. Estrelas, por sua vez, se formam a partir de nebulosas, como são conhecidas as nuvens de poeira e gás geradas quando uma densa moita de material entra em colapso no cosmos.

Esse material forma um disco, que fica girando em torno da nova estrela. Dentro desse disco, a poeira e os gases começam a se agrupar em um processo que origina um “planeta bebê”. Evidências em nosso Sistema Solar apontam que ele se formou da mesma maneira, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.

No entanto, como e quando certos elementos foram incorporados aos planetas tem sido complicado de se entender. Segundo os modelos atuais, os gases voláteis são absorvidos no instante em que os planetas nascem a partir da nebulosa, sendo arrastados para o oceano de magma do estágio inicial dos corpos planetários, antes de mais tarde serem parcialmente desgaseificados para a atmosfera enquanto o manto esfria.

Mais tarde, mais gases são entregues pelo bombardeio de meteoritos – voláteis ligados a meteoritos carbonáceos (chamados condritos) são liberados quando essas rochas se rompem no desenvolvimento do planeta.

Assim, o interior de um planeta deve refletir a composição da nebulosa que o originou, enquanto sua atmosfera deve refletir principalmente a contribuição volátil dos meteoritos. É possível identificar a diferença entre essas duas fontes examinando as proporções de isótopos de gases nobres, particularmente krypton.

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