
Entre os robôs, sondas, drones e demais equipamentos que operam em Marte, estão dois satélites da Agência Espacial Europeia (ESA): o Mars Express (MEX) e o ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO). Segundo divulgado pela organização, as equipes de controle da missão de exploração do Planeta Vermelho demonstraram agora que os rádios de curto alcance das espaçonaves, normalmente usados para se comunicar com os veículos que operam na superfície, podem ser usados em conjunto para sondar a atmosfera marciana.
“Esses rádios usam as mesmas frequências e, portanto, depois de alguns ajustes inteligentes nos sistemas das duas espaçonaves, eles agora podem ser usados para trocar sinais entre si”, explica Daniel Scuka, oficial de comunicação para Operações e Segurança Espacial no Centro de Controle de Missões da ESA. “Os engenheiros também determinaram que, por razões técnicas, o MEX transmitirá os sinais enquanto o TGO os recebe”.
De acordo com Scuka, normalmente, o MEX espera até ter uma visão clara da Terra antes de transmitir seus sinais, de modo a evitar perturbações da atmosfera marciana. “Mas também podemos usar essa interrupção, e o fato de conhecermos muito bem as características do sinal original enviado pela espaçonave, para estudar a temperatura, a pressão e outras propriedades da fatia da atmosfera marciana pela qual ela passa”.
Essa técnica de ciência de rádio é limitada pelo fato de que o MEX nem sempre está em uma posição onde seu feixe de rádio para a Terra passa pela atmosfera marciana. Além disso, o fato de que o vasto espaço entre a Terra e Marte, e a própria atmosfera da Terra, podem alterar o sinal de rádio, também dificulta as coisas.
“Pode ser difícil descobrir quais mudanças foram devidas exclusivamente à atmosfera marciana. E ambas as limitações se devem ao fato de a antena que recebe o sinal estar sempre presa no mesmo lugar – na superfície da Terra”, explicou Scuka.
Foi pensando nessa questão que os cientistas chegaram ao trabalho conjunto entre os dois instrumentos.
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