Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Sozinho em outro planeta: estudo mostra como isolamentos na comunicação podem beneficiar colônias em Marte

Sozinho em outro planeta: estudo mostra como isolamentos na comunicação podem beneficiar colônias em Marte

É uma lei da física: devido à distância entre os planetas, comunicações entre a Terra e Marte são sujeitas a um atraso de pelo menos 20 minutos, o que torna uma conversa em tempo real impossível. E um novo estudo publicado no Frontiers of Physiology detalha as dificuldades que poderiam ser enfrentadas por colônias humanas no planeta vermelho, causadas por esse distanciamento.

A pesquisa encontra sua base no fato de que Marte, mesmo em seu ponto mais próximo da Terra, ainda está a pouco menos de 55 milhões de quilômetros (km) de distância, o que invariavelmente impacta a cobertura de nossas comunicações interplanetárias. Isso, sem contar os blecautes forçados, como o que ocorre quando o Sol fica entre os dois planetas – a Nasa passou por isso recentemente com seus rovers.

O paper atual tirou como base dois estudos conduzidos anteriormente – em 2017 e 2019 (ambos intitulados “SIRIUS”, sigla para “Pesquisa Internacional em Estação Terrestre Única”) – que avaliou os efeitos psicológicos do isolamento completo de uma equipe durante períodos de 17 dias ao longo de quatro meses. O estudo recente reafirma, contudo, que existiriam algumas vantagens nesse quadro:

“As equipes dos experimentos anteriores mostraram tendência de reduzir proativamente as comunicações com o controle da missão durante o isolamento, compartilhando suas necessidades cada vez menos”, disse o doutor Dmitry Shved, da Academia Russa de Ciências e o Instituto de Aviação de Moscou, que assina a autoria do estudo.

“As raras ocasiões de aumento no contato foram vistas durante eventos importantes da missão, como simulações de pouso”, ele comenta. “Além disso, viu-se uma convergência de estilos de comunicação durante uma das missões, e um aumento na coesão do time ao longo do curso dessa missão. Isso aconteceu mesmo após considerarmos a diversidade da missão, como histórico cultural ou gênero, com diferenças individuais bem acentuadas”.

Em termos numéricos: só nos primeiros 10 dias da SIRIUS-19 os pesquisadores registraram 320 interações de áudio entre o time isolado e seus observadores, com duração total de 11 horas. Já nos 10 dias finais, esse volume caiu para 34 interações, totalizando um tempo de 77 minutos.

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