Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de junho de 2023 · 2 min de leitura ·

Super El Niño: Muralha milenar protege o Peru de inundações

Super El Niño: Muralha milenar protege o Peru de inundações

O segundo semestre deste ano deve ter mudanças no clima em especial com a presença do “super” El Niño. O problema, entretanto, não é novo na região e vem de milênios. No norte do Peru, uma parede de pedra se estende por cerca de 10 quilômetros pelo deserto. Durante muito tempo pensou-se que ela havia sido construída por uma antiga civilização pré-colombiana como forma de defesa, mas agora, um novo estudo aponta que, na verdade ela servia como proteção das inundações causadas pelo fenômeno climático.

O muro é conhecido como Muralla La Cumbre e fica localizado próximo a Trujillo, no Peru. Ele foi construído por volta do ano 1100 a.C pelo povo Chimú, que era inimigo dos Incas, por isso pensava-se que ele havia sido construído para proteção.

A nova análise da parede com 2,5 metros de altura revelou camadas de sedimentos de inundação apenas em seu lado leste, indicando que ela foi provavelmente construída para proteger as plantações no lado oeste, próximo à costa, de inundações devastadoras, durante as fases úmidas mais fortes do ciclo climático, que hoje sabe-se ser causado pelo El Niño.

A precipitação anual lá em um ano normal é muito baixa – quase nenhuma chuva. Então, quando a chuva foi muito alta, isso causou muitos danos.

O povo Chimú estabeleceu o reino de Chimor por volta do ano 900 EC e eram conhecidos por adorarem a Lua, ao contrário dos Incas que adoravam o Sol, tendo sido conquistados por eles por volta de 1470. Atualmente eles são conhecidos por seus trabalhos em cerâmicas, metalurgia e as ruínas de sua capital, Chan Chan.

Os arqueólogos acreditam que as inundações do El Niño e a construção da parede podem estar ligadas ao sacrifício de crianças e animais. A datação de radiocarbono, indicou que uma das camadas de sedimentos da parede são de aproximadamente 1450, mesma época em que cerca de 145 crianças e 200 lhamas foram sacrificadas em outro local do reino de Chimú.

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