Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Superfície da Betelgeuse pode ter criado ilusão que confundiu os astrônomos

Superfície da Betelgeuse pode ter criado ilusão que confundiu os astrônomos

Observações recentes da estrela Betelgeuse revelaram que ela podia estar girando mais rápido do que o previsto, mas agora uma pesquisa revelou que, na verdade, a superfície fervente da gigante vermelha pode ter criado uma ilusão enquanto os astrônomos a investigavam.

Por ser tão grande e estar relativamente próxima, os pesquisadores podem observar sua superfície com uma gama enorme de detalhes. De acordo com alguns pesquisadores, é como se tivéssemos viajado até lá para vê-la de perto. Recentemente, ela ficou conhecida, porque um escurecimento do seu brilho levou os cientistas a acreditarem que ela poderia explodir a qualquer momento. Assim, observações dela se tornaram mais comuns.

Em uma dessas investigações da Betelguese, cientistas usando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) perceberam que metade da estrela parecia estar vindo em nossa direção, enquanto a outra metade parecia estar se afastando. A partir desse mapa de velocidade radial dipolar, os pesquisadores apontaram que ela estava em uma rotação rápida, acima do normal.

Quando estrelas incham e se tornam gigantes vermelhas, geralmente elas tendem a preservar o seu momento angular. Isso faz com que sua rotação abrande, então esperava-se que a Betelgeuse fosse relativamente moderada.

No entanto, de acordo com o novo estudo, publicado no The Astronomical Journal, esses apontamentos, no entanto, dependem da Betelgeuse ser considerada uma esfera perfeitamente redonda, mas esse não é exatamente o caso.

A estrela tem sua superfície extremamente turbulenta, com bolhas tão grandes quanto toda a órbita da Terra em torno do Sol e que são alimentadas por mecanismos de transferência de calor que podem descer e subir a velocidade de 30 quilômetros por segundo. Para analisar essa superfície borbulhante, os pesquisadores desenvolveram um pacote computacional de pós-processamento para simular observações do ALMA e comparar com simulações 3D de gigantes vermelhas não rotativas. 

Compartilhe