
Pesquisadores da ETH Zurich conseguiram medir, pela primeira vez, como a quantidade de carbono orgânico dissolvido nos oceanos variou ao longo do tempo geológico. Os resultados, publicados na revista Nature, desafiam explicações tradicionais sobre a origem das eras glaciais e do surgimento de formas de vida complexas, lançando nova luz sobre a evolução da Terra.
O estudo foi liderado pelo professor Jordon Hemingway, que identificou um testemunho natural único para investigar esse período remoto: pequenas pedras esféricas de óxido de ferro conhecidas como ooides.
À primeira vista semelhantes a grãos de areia, elas se formam em camadas, como bolas de neve, rolando no fundo do mar. Durante o processo, moléculas de carbono orgânico ficam presas em sua estrutura cristalina, permitindo que os cientistas reconstruam o estoque de carbono nos oceanos até 1,6 bilhão de anos atrás.
Por muito tempo, os cientistas acreditaram que esse estoque de carbono orgânico dissolvido teria sido particularmente volumoso entre mil e 541 milhões de anos atrás.
Essa hipótese sustentava explicações sobre a coincidência entre eras glaciais e o surgimento de organismos complexos. A fotossíntese, ao produzir carbono orgânico, também liberou oxigênio na atmosfera, provocando duas grandes “catástrofes do oxigênio”, que elevaram o nível do gás a 21% e foram acompanhadas por glaciações globais.
Na primeira dessas catástrofes, entre 2,4 e 2,1 bilhões de anos atrás, organismos desenvolveram o metabolismo aeróbio, capaz de gerar energia de forma mais eficiente, abrindo caminho para a evolução da vida complexa.
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