Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Testemunhas minúsculas dos oceanos revelam novos dados sobre história da Terra

Testemunhas minúsculas dos oceanos revelam novos dados sobre história da Terra

Pesquisadores da ETH Zurich conseguiram medir, pela primeira vez, como a quantidade de carbono orgânico dissolvido nos oceanos variou ao longo do tempo geológico. Os resultados, publicados na revista Nature, desafiam explicações tradicionais sobre a origem das eras glaciais e do surgimento de formas de vida complexas, lançando nova luz sobre a evolução da Terra.

O estudo foi liderado pelo professor Jordon Hemingway, que identificou um testemunho natural único para investigar esse período remoto: pequenas pedras esféricas de óxido de ferro conhecidas como ooides.

À primeira vista semelhantes a grãos de areia, elas se formam em camadas, como bolas de neve, rolando no fundo do mar. Durante o processo, moléculas de carbono orgânico ficam presas em sua estrutura cristalina, permitindo que os cientistas reconstruam o estoque de carbono nos oceanos até 1,6 bilhão de anos atrás.

Por muito tempo, os cientistas acreditaram que esse estoque de carbono orgânico dissolvido teria sido particularmente volumoso entre mil e 541 milhões de anos atrás.

Essa hipótese sustentava explicações sobre a coincidência entre eras glaciais e o surgimento de organismos complexos. A fotossíntese, ao produzir carbono orgânico, também liberou oxigênio na atmosfera, provocando duas grandes “catástrofes do oxigênio”, que elevaram o nível do gás a 21% e foram acompanhadas por glaciações globais.

Na primeira dessas catástrofes, entre 2,4 e 2,1 bilhões de anos atrás, organismos desenvolveram o metabolismo aeróbio, capaz de gerar energia de forma mais eficiente, abrindo caminho para a evolução da vida complexa.

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