Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Twister? Nova técnica pode desacelerar furacões

Twister? Nova técnica pode desacelerar furacões

Nos últimos 50 anos, os furacões intensos se tornaram mais comuns, enquanto as tempestades leves perderam força. Segundo o Centro para Soluções Climáticas e de Energia, o aquecimento global é o motor dessa mudança e a tendência é piorar nas próximas décadas. Porém, um novo estudo australiano pode mostrar o caminho para possivelmente frear esses furacões e evitar seus danos.

Pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália (UNA) revelaram em seu artigo um método capaz de desacelerar tempestades tropicais. Durante o estudo, publicado na Advancing Earth and Space Sciences, a equipe usou modelos de computador para entender como diferentes tamanhos de aerossóis podem influenciar a intensidade dos furacões.

“Outros cientistas analisaram o impacto dos aerossóis em um ciclone já desenvolvido, quando ele pode estar prestes a atingir a terra. Achamos que pode ser mais fácil detê-los antes que comecem. Agora mostramos que é possível reduzir sua intensidade nesses estágios iniciais”, explicou Roslyn Prinsley, professora na UNA e pesquisadora do estudo, em um comunicado.

O estudo revelou que partículas finas e ultrafinas — mais de 100 mil vezes menores que um milimetro — inicialmente fortaleceram a tempestade ao aumentar o calor liberado pela condensação da água e pela formação de gelo nas nuvens. Porém, esse processo também formou uma “poça fria”, uma região de ar resfriado perto da superfície que reduz o fluxo de energia da tempestade, a enfraquecendo.

As partículas maiores, cerca de mil vezes menores que um milimetro, desaceleraram a tormenta no começo, aumentando a chuva. Mas, posteriormente criaram uma poça fria mais fraca, que dificilmente conseguia enfraquecer o furacão. Após um período, o fenômeno recuperava forças e seguia seu trajeto.

Essas intervenções propostas devem acontecer nas etapas iniciais da tempestade tropical, antes dela se tornar gigante – um processo difícil de se executar na realidade. “Levar esses aerossóis até onde são necessários é outro desafio que estamos enfrentando, seriam necessárias várias aeronaves para dispersar os aerossóis ao longo de algumas horas”, disse Prinsley.

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