
A Ucrânia está bastante combalida pelas ações da Rússia em sua invasão militar no país, mas a esperança é a de que, no pós-guerra, ela tome o protagonismo de seus algozes no setor aeroespacial.
Ao menos, foi o que disse o ex-chairman da agência espacial ucraniana (USA), um órgão do governo que, poucos se dão conta, tem 16 mil funcionários e um tamanho que rivaliza com o da NASA norte-americana e criou, entre outras coisas, a linha de foguetes Zenit – tida como a preferida de Elon Musk, CEO da SpaceX.
Volodymyr Usov já controlou o que chama de “aglomerado espacial ucraniano” – um grupo de 20 empresas estatais que respondem diretamente à USA, uma agência espacial originalmente fundada durante a Guerra Fria para auxiliar os esforços da antiga União Soviética na corrida espacial.
Dessas empresas, duas são tidas como o “coração” do esforço ucraniano na indústria aeroespacial: a Yuzhmash e a Yuzhnoye, juntas, produzem mais de 100 veículos de lançamento por ano – além do Zenit, elas também assinam o primeiro estágio dos foguetes Antares, usados pela Northrop Grumman como propulsores da nave Cygnus; e também fabricam os motores dos foguetes Vega.
Em suma, apesar de não terem muita projeção no cenário internacional, são nomes de técnica forte e que sabem o que estão fazendo. Usov diz que, por causa de todo esse valor (que ele avalia em “bilhões de dólares”), a Rússia têm preferido evitar as estruturas da agência ucraniana, mas isso pode mudar conforme as forças invasoras se aproximam de Dnipropetrovsk (também chamada de “Dnipro”), a quarta maior cidade ucraniana e onde estão as sedes das duas principais empresas.
“Eu acredito que eles [russos] estejam evitando a área por enquanto porque querem tomar o controle dela e usar as estruturas para seu propósito”, disse Usov ao Space.com. “Se vencermos essa guerra antes de tudo ser destruído, vamos manter nossa capacidade de pesquisa e produção. Mas isso pode mudar a qualquer momento: dois ataques de mísseis em Youzmash e ela nunca mais vai se recuperar”.
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