Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Estudo compartilha detalhes das ‘kofun’, as tumbas proibidas do Japão

Estudo compartilha detalhes das ‘kofun’, as tumbas proibidas do Japão

Um estudo italiano conseguiu coletar informações interessantes sobre as Kofun, tumbas gigantescas construídas no Japão antigo, cujo acesso é, na maior parte, proibido para o público por pertencerem às famílias de regentes do país há vários séculos.

Devido às restrições impostas pelo governo japonês, o estudo em questão foi conduzido por meio de imagens via satélite. Outro motivo da dificuldade em pesquisar as antigas tumbas é pela enorme quantidade delas: por todo o Japão, são 161.550 tumbas, segundo levantamento da Universidade de Hyogo.

O novo estudo, conduzido pelo Politecnico di Milano, revela, por exemplo, que todas as kofun seguem a orientação do arco do Sol quando ele nasce – uma reverência à deusa Amaterasu, considerada pelos japoneses como uma de suas principais divindades, filha de Izanagi, o criador; e irmã de Tsukuyomi (divindade da Lua) e Susanoo (divindade das tempestades, além de líder (ou uma das lideranças) do reino paradisíaco de Takamagahara.

Uma das tumbas — chamada Daisen Kofun — é atribuída ao imperador Nintoku, o 16º da dinastia. Mas embora a maior parte dos japoneses considere sua existência um fato (chamam-no “O Santo Imperador” pela sua fama de extrema bondade), historiadores ainda não conseguiram atribuir a ele uma linha do tempo de vida. A “sua” kofun, no entanto, é parte da lista de patrimônios mundiais da UNESCO, além de ser a maior de todas, com 486 metros (m) de comprimento e 36 m de altura.

O time de pesquisadores foi liderado por Norma Baratta, Arianna Picotti e Giulio Magli, e descobriu que a orientação delas não acontece ao acaso: na verdade, alinhar seus arcos de entrada ao nascer do Sol (ou, em alguns casos, à posição da Lua) é uma tradição que remonta ao período imperial japonês. Antigamente, os imperadores eram considerados descendentes diretos de Amaterasu.

Boa parte das kofun também têm esse formato de fechadura. O entendimento da mitologia japonesa é o de que a chave simboliza poder e autoridade.

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