Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas descobrem bactéria com ‘mecanismo exclusivo’ de fotossíntese

Cientistas descobrem bactéria com 'mecanismo exclusivo' de fotossíntese

Bactérias que se sustentam como plantas não são exatamente uma novidade, mas um novo estudo aponta que a “Gemmatimonas phototrophica”, uma bactéria capaz de fazer fotossíntese que vive no Deserto de Gobi, na China, executa esse processo de forma exclusiva.

“A arquitetura desse complexo é muito elegante. Uma verdadeira obra-prima da natureza”, disse Michal Koblizek, do Instituto de Microbiologia da Academia de Ciências da República Tcheca. “Não só ele tem boa estabilidade estrutural, ele também conta com alta eficiência na absorção de luz”.

Segundo os cientistas, a G. phototrophica “roubou” esse mecanismo de uma proto-bactéria — um tipo de bactéria ancestral —, porém a elegância vem do fato de que esse ancestral não era remotamente próximo a ela, pertencendo a outro filo. Para os estudiosos, isso é mais uma prova da eficiência das bactérias ao conduzirem o que chamam de “transferência horizontal de genes”, permitindo que uma habilidade seja transferida de um indivíduo para outro completamente diferente.

Neste caso, estamos falando de um mecanismo que consiste de um centro de reação envolto em um anel interno de captura da luz do Sol (visto em outras bactérias), seguido de um anel externo de propriedade similar — este sim, inédito à ciência.

A grosso modo, o anel externo faz a primeira captura da luz do Sol, adicionando luzes em frequência de 800 e 816 nanômetros (nm) ao anel interno, que já faz a captura de luz na frequência de 868 nm. A partir daí, todo esse material é afunilado no centro, onde se encontram os “cromóforos” — pense neles como a clorofila das plantas, só que em uma bactéria.

Esses cromóforos entram em alerta na presença de luz, transferindo seus elétrons ao longo de um trajeto que induz os átomos de água a reagirem, usando o dióxido de carbono (CO2) para produzir açúcares. A luz se torna a “cola” que prende esses açúcares entre si, formando compostos que diversos indivíduos — incluindo animais mamíferos como nós — podem quebrar para produzir energia.

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