
O material colhido diretamente de asteroides pode ser usado para alimentar os astronautas durante missões espaciais de longa duração. A conclusão faz parte de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Exploração da Terra e do Espaço da Western University, no Canadá.
Atualmente, a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) depende de missões de reabastecimento para suprir suas necessidades de comida. Este processo, no entanto, é considerado caro e logisticamente complicado. Por outro lado, a “agricultura” no espaço, embora possível, também apresenta muitos desafios. É por isso que os pesquisadores sugerem uma fonte mais local de alimento: as rochas espaciais.
A solução requer o uso de alta temperatura para quebrar os compostos orgânicos encontrados em asteroides em ambientes livres de oxigênio, um processo conhecido como pirólise. Os hidrocarbonetos resultantes poderiam então ser alimentados por micróbios que consumiriam o material orgânico e produziriam biomassa de valor nutricional para os seres humanos, de acordo com o estudo.
Os pesquisadores se concentraram nos chamados condritos carbonáceos, que contêm até 10,5% de água e quantidades substanciais de matéria orgânica. Isso inclui asteroides como Bennu, que a missão OSIRIS-REx, da NASA, visitou em 2018 para coletar amostras.
O estudo estima que asteroides como o Bennu poderiam ser usados para produzir cerca de 50 a 6.550 toneladas métricas de biomassa comestível com calorias suficientes para alimentar astronautas entre 600 e 17 mil anos. A estimativa mínima baseia-se apenas na conversão de hidrocarbonetos alifáticos em alimentos, enquanto a máxima exige que toda a matéria orgânica insolúvel seja usada.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Entre para comentar.