
A turbulência está por toda parte – nas ondas do mar, em voos de aeronaves e até no espaço. Esse movimento desordenado espalha energia de forma imprevisível, afetando o plasma, os campos magnéticos e o nascimento de estrelas. Embora muito comum, a turbulência continua sendo um dos maiores enigmas da física moderna.
Agora, uma equipe internacional de cientistas conseguiu medir, com precisão inédita, como a energia turbulenta se comporta em grande escala no espaço. O estudo foi publicado na terça-feira (13) na revista Nature Astronomy.
Os cientistas usaram supercomputadores para criar a maior simulação já feita de turbulência magnetizada. Eles descobriram que a forma como a energia se espalha no espaço não bate com as teorias mais aceitas até agora. Isso pode mudar a maneira como a ciência explica a dinâmica da nossa galáxia e de outras partes do Universo.
A pesquisa foi liderada por James Beattie, da Universidade de Princeton, nos EUA, que também integra o Instituto Canadense de Astrofísica Teórica. Ele trabalhou com Amitava Bhattacharjee, também de Princeton, e com pesquisadores da Universidade Nacional Australiana, da Universidade de Heidelberg e do Centro de Supercomputação Leibniz, na Baviera (esses dois últimos, na Alemanha).
As simulações focaram na turbulência que ocorre no chamado meio interestelar – a região entre as estrelas. A equipe observou que campos magnéticos têm um papel importante nesse processo. Eles interferem na movimentação da energia, bloqueando certos fluxos e ampliando outros, como as chamadas ondas de Alfvén, que se propagam como vibrações magnéticas pelo espaço.
Essas descobertas são importantes porque a turbulência influencia diretamente como partículas de alta energia – muitas vezes perigosas – se movimentam. Essas partículas podem danificar equipamentos e representar riscos para missões espaciais. Com mais conhecimento sobre elas, será possível proteger melhor satélites e astronautas.
Entre para comentar.