
O Exército dos Estados Unidos detonou um dispositivo no primeiro teste de uma bomba nuclear do mundo, conhecido como Teste Trinity, em 16 de julho de 1945. A explosão criou um mineral: a trinitita. Décadas depois, cientistas descobriram que esse mineral tem uma forma rara de matéria conhecida como quasicristal.
A raridade é porque quasicristal quebra a regra obedecida por cristais “normais”, desde o sal de cozinha até diamantes. A regra é: átomos são organizados numa estrutura de rede que se repete no espaço tridimensional. Já em quasicristais, o padrão no qual seus átomos são organizados não se repete.
Em suma, cristais são ordenados ou desordenados. Mas quasicristais são um meio-termo. Um artigo sobre a pesquisa que os identificou na trinitita foi publicado na revista científica PNAS.
No Teste Trinity, a liberação de energia, equivalente a 21 quilotons de TNT, vaporizou a torre de testes de 30 metros e quilômetros de fios de cobre que a conectavam aos equipamentos de medição.
A bola de fogo (um dos momentos mais impactantes, num sentido quase literal, do filme Oppenheimer, diga-se) fundiu a torre e o cobre com o asfalto e a areia do deserto. Isso formou um vidro verde: a trinitita, com quasicristais nela.
“Quasicristais se formam em ambientes extremos que raramente existem na Terra”, explicou o geofísico Terry Wallace, do Laboratório Nacional de Los Alamos, em 2021. “Eles exigem um evento traumático com choque, temperatura e pressão extremos.”
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