Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de novembro de 2025 · 3 min de leitura ·

Aedes aegypti: pesquisa muda o que sabemos sobre a reprodução dos mosquitos

Aedes aegypti: pesquisa muda o que sabemos sobre a reprodução dos mosquitos

A comunidade científica estava errada sobre a fêmea do mosquito Aedes aegypti. Ela não é passiva no ato sexual com machos. E mais do que isso: ela escolhe com qual mosquito fará o acasalamento. As descobertas estão em um novo estudo de uma equipe liderada por Leslie Vosshall, especialista em mosquitos da Universidade Rockefeller e do Instituto Médico Howard Hughes, nos EUA. O artigo foi publicado na revista Current Biology.

Nele, os cientistas relatam que encontraram a primeira evidência do que acontece quando uma fêmea de mosquito decide acasalar pela única vez em sua vida: ela move seus órgãos genitais de forma muito sutil, o que permite o encaixe genital e a transferência de esperma. Isso lhe confere o controle total da cópula — uma descoberta que contraria antigas suposições na área.

“É realmente profundo que a área tenha assumido por tanto tempo que a fêmea deve ser passiva”, disse a pesquisadora Leslie Vosshall. “Esse dogma persistiu por muitos anos, apesar de se basear em uma contradição: a de que as fêmeas acasalam apenas uma vez, mas também a de que não têm escolha sobre quando, com quem ou quantas vezes. Se não tivessem escolha, muitos machos acasalariam com uma única fêmea o tempo todo. E não é por falta de tentativas. Eles importunam as fêmeas constantemente.”

Estudos detalhados sobre o acasalamento de mosquitos são feitos desde a década de 1950 utilizando congelamento instantâneo e filmagens sob microscópios para compreender o processo. No entanto, segundo a pesquisadora, a interpretação das observações ignorou o possível controle exercido pelas fêmeas. “Talvez porque não esperassem que elas tomassem qualquer decisão”, afirmou Vosshall.

O acasalamento entre esses minúsculos animais dura 14 segundos, e a fase que inclui a nova descoberta leva apenas de 1 a 2 segundos. A equipe desacelerou imagens de alta velocidade e alta resolução para analisar quadro a quadro, além de aplicar aprendizado profundo e mosquitos transgênicos com espermatozoides fluorescentes.

“A fêmea controla o acasalamento com um movimento sutil de seus órgãos genitais. Na verdade, existe um processo de três etapas que começa quando o macho entra em contato com os órgãos genitais da fêmea com a ponta de seu próprio órgão genital. Ele possui estruturas chamadas gonostilos que insere na ponta do órgão genital da fêmea e vibra. Essas estruturas são cruciais para o processo. Se ela deseja acasalar, alonga a ponta do seu órgão genital, permitindo que o macho se encaixe nela e transfira o esperma”, explica Leah Houri-Zeevi, primeira autora do estudo.

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