Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de abril de 2023 · 2 min de leitura ·

‘Aquanauta’ vai viver debaixo d’água por 100 dias em experimento recorde

‘Aquanauta’ vai viver debaixo d'água por 100 dias em experimento recorde

Desde o dia 1º de março, um ex-mergulhador da Marinha dos EUA está vivendo em uma caixa de 10 m2 a quase 7 metros abaixo da superfície oceânica, onde pretende permanecer por um total de 100 dias. Se conseguir atingir a meta, ele vai bater o recorde de maior tempo em um habitat submerso em água.

Especialista em engenharia biomédica, Joe Dituri conduz pesquisas sobre os efeitos provocados no corpo humano pela pressão hiperbárica – quando a pressão do ar é maior do que seria ao nível do mar. Com a missão Neptune 100, ele pretende usar o tempo que permanecer abaixo da superfície para examinar o impacto que a vida nesse ambiente de alta pressão tem em sua saúde.

Mas, isso não seria como viver em um submarino? Curiosamente, segundo Bradley Elliott, professor sênior de fisiologia da Universidade de Westminster, no Reino Unido, não. Em um artigo publicado no site The Conversation, Elliot explica que os submarinos são selados quando submersos e mantidos à pressão do nível do mar, o que significa que não há diferença significativa na pressão, mesmo quando um submarino está a centenas de metros de profundidade.

Já o habitat subaquático de Dituri não terá escotilhas sólidas ou eclusas de ar entre o oceano e o espaço de vida seco, como em um submarino. Ou seja, o ar dentro de seu ambiente é espremido pelo peso do oceano, aumentando a pressão ao seu redor. A uma profundidade de 100 metros, a pressão do ar dentro desse habitat é cerca de duas vezes maior do que o que ele estaria acostumado em terra.

Como todo mergulhador certificado sabe, a pressão hiperbárica pode representar uma ameaça muito real para os seres humanos. Nossos corpos foram adaptados por gerações de evolução para as condições do nível do mar, onde os dois principais gases envolvidos na respiração (oxigênio e dióxido de carbono) são os únicos que cruzam livremente entre nossos pulmões e nosso sangue.

Outro desafio para o pesquisador será conseguir vitamina D suficiente. A pele deve receber exposição UV para produzir essa vitamina, e isso normalmente vem da luz do Sol. É provável que Dituri não seja exposto a vitamina D suficiente enquanto vive em seu ambiente subaquático.

Compartilhe