Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de março de 2025 · 2 min de leitura ·

Conheça a Ilha das Cobras, um dos locais mais perigosos do mundo — e fica no Brasil!

Conheça a Ilha das Cobras, um dos locais mais perigosos do mundo — e fica no Brasil!

A poucos quilômetros da costa de São Paulo, encontra-se uma ilha que é um verdadeiro santuário para serpentes, mas um pesadelo para a maioria das pessoas. A Ilha da Queimada Grande, ou simplesmente Ilha das Cobras, é lar de algumas das serpentes mais venenosas do mundo e, por isso, é estritamente proibida para visitantes.

O controle de acesso é feito pela Marinha do Brasil, com o objetivo de proteger tanto os humanos quanto os habitantes rastejantes da ilha. A preservação dessas espécies é essencial, principalmente porque a mais abundante delas, apesar de carregar um veneno extremamente tóxico, está criticamente ameaçada de extinção.

A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) pertence à família Viperidae, da qual também fazem parte cascavéis e mocas. Seu veneno é hemotóxico, atacando o sistema circulatório e causando hemorragias e coagulações fatais. Diferente dos venenos neurotóxicos, que afetam o sistema nervoso e causam paralisia, o veneno da jararaca-ilhoa age rapidamente, permitindo que a serpente imobilize presas como pássaros em poucos minutos.

Embora seja letal, o veneno dessa espécie também é altamente valioso para a medicina. Substâncias extraídas dele são usadas no desenvolvimento de medicamentos para doenças cardiovasculares e terapias anticoagulantes.

Diferente de outras jararacas encontradas no continente, a jararaca-ilhoa é exclusiva da Ilha das Cobras. Acredita-se que sua evolução ocorreu após a separação da ilha do continente ao fim da última Era do Gelo, há aproximadamente 11 mil anos. Sem predadores terrestres e com escassez de presas, a espécie desenvolveu um veneno três a cinco vezes mais tóxico que seus parentes continentais, uma adaptação essencial para capturar pássaros rápidos.

Atualmente, a dieta da jararaca-ilhoa é composta majoritariamente por duas espécies de aves migratórias: a tesourinha-chilena (Elaenia chilensis), que chega no fim do verão, e o sabiá-una (Turdus flavipes), que aparece no inverno.

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