Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Gato ajuda na descoberta de novo vírus (outra vez!)

Gato ajuda na descoberta de novo vírus (outra vez!)

Pepper, um adorável gato de estimação da Flórida, alcançou um grande feito na Ciência ao auxiliar na descoberta de não um, mas dois novos vírus. E tudo graças a um comportamento comum dos felinos: levar animais mortos como “presentes” para seus donos.

Como conta John Lednicky, virologista e dono de Pepper, em um comunicado, ele decidiu, em vez de descartar as lembrancinhas mórbidas trazidas pelo gato, examiná-las em laboratório. “Há muita informação que pode ser obtida”, explicou – e ele estava certo.

A primeira descoberta de Pepper e Lednicky veio em 2024. Na ocasião, o bichano caçou um camundongo infectado com a cepa Gainesville rodent jeilongvirus 1, até então inédita nos Estados Unidos e capaz de infectar células de primatas, como descrito pelo virologista e sua equipe em um artigo na época.

“A detecção precoce de vírus endêmicos circulando em hospedeiros no centro-norte da Flórida pode melhorar significativamente os esforços de vigilância, reforçando assim nossa capacidade de monitorar e responder a possíveis surtos de forma eficaz”, destacaram os cientistas.

A segunda descoberta do gato é mais recente. Desta vez, Pepper trouxe um musaranho-de-cauda-curta dos Everglades (Blarina peninsulae) portando um orthoreovirus praticamente desconhecido e cujas raras associações estão ligadas à gastroenterite viral e meningite em crianças. Em um estudo da Microbiology Resource Announcements, o novo vírus foi chamado de Gainesville shrew mammalian Orthoreovirus type 3 strain UF-1.

“Os orthoreovirus de mamíferos eram originalmente considerados vírus ‘órfãos’, presentes em mamíferos, incluindo humanos, mas não associados a doenças. Mais recentemente, eles foram implicados em doenças respiratórias, do sistema nervoso central e gastrointestinais”, explica a virologista Emily DeRuyter, líder do estudo.

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