
A NASA se vê diante de um desafio operacional raro e complexo: gerenciar duas missões tripuladas de alto perfil, com cronogramas entrelaçados, durante a possível semana mais importante da agência em décadas. De um lado, a missão Artemis 2, o primeiro voo tripulado à Lua em mais de 50 anos, com a primeira janela de decolagem entre 8 e 11 de fevereiro. Do outro, o lançamento da Crew-12, da SpaceX, antecipado para o dia 11 do mesmo mês, com a urgência de repor a equipe reduzida da Estação Espacial Internacional após a primeira evacuação médica da história do laboratório orbital.
O conflito de agenda, considerado um “bom problema” por sinalizar a retomada robusta dos voos espaciais tripulados dos EUA, foi agravado por uma frente fria histórica que atinge a região. A logistica só será definida após o ensaio geral de abastecimento do foguete SLS da Artemis 2, o teste principal antes do lançamento, que está marcado para 2 de fevereiro. O desempenho nesse teste determinará o destino de ambas as missões.
“A janela entre as missões depende um pouco do que acontecer no ensaio”, explicou Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA, ao Space.com.
Em resumo: a Crew-12 só poderá tentar lançamento em sua data preferencial (11 de fevereiro) se a Artemis 2 falhar no teste e tiver seu lançamento adiado para a janela março. Se a Artemis 2 passar no teste e for lançada com sucesso no dia 8, a Crew-12 será remarcada para o dia 19.
Os motivos são a partilha de recursos críticos. A NASA utiliza os mesmos veículos de recuperação das cápsulas e a mesma infraestrutura de suporte para ambas as operações. Até mesmo a sala de vestir os trajes espaciais é um recurso compartilhado, forçando a Crew-12 a ter a “opção de usar a instalação da SpaceX na plataforma 39A”, conforme detalhou Stich.
A missão terá uma duração excepcionalmente longa de nove meses, em vez dos seis meses habituais, para reajustar o calendário de rotações após o retorno precoce da Crew-11.
Entre para comentar.