
No reino animal, existem espécies aquáticas, terrestres e voadoras, mas há outros animais que vivem o hibridismo. Um deles é o tetra-splash, peixe que vive nos rios amazônicos, mas que tem a curiosa tática de reprodução de colocar seus ovos fora da água.
O nome científico do tetra-splash é Copella Arnoldi, e ele é uma espécie bastante conhecida e negociada no mercado internacional de peixes ornamentais – ou seja, peixes de aquário, que podem ser criados como pets.
Só há conhecimento de duas outras espécies que fazem essas acrobacias para reprodução: o Brycon petrosus e o Kryptolebias marmoratus. Ambos são peixes de água doce e vivem em rios neotropicais.
No processo de reprodução do tetra-splash, os machos saltam e lançam esperma numa superfície – seja uma folha, um tronco de árvore, ou no caso dos que vivem como pets, até mesmo a tampa do aquário – a fêmea por sua vez salta em seguida lançando seus óvulos no mesmo lugar.
Mas o trabalho não acaba aí. Os ovos do tetra-splash são extremamente sensíveis, recobertos por uma fina película que desidrata rapidamente em contato com o oxigênio. Para garantir a sobrevivência deles, o macho fica próximo à superfície espirrando água a cada um minuto durante três dias – que é o tempo que os ovos demoram para eclodir e lançar os alevinos na água.
A complexidade de reprodução do tetra-splash acabou por chamar a atenção do pesquisador Rafael Farias, que concluiu seu mestrado em zoologia na Universidade Federal do Pará (UFPA) estudando o peixe amazônico. Para sua pesquisa, foram coletados 117 tetra-splashs num rio na região leste da Amazônia.
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