
Os Grandes Lagos da América do Norte se formaram há cerca de 20 mil anos numa depressão esculpida por geleiras durante a Era do Gelo. E uma pesquisa recente aponta que essa depressão foi criada por um hotspot sob a região há aproximadamente 300 milhões de anos. Nesta época, a América do Norte nem existia (era parte do supercontinente Pangeia).
Hotspots (ou pontos quentes) são plumas de material quente que sobem do manto terrestre e interagem com a crosta. Entre os exemplos do que apareceu por conta dessa interação, estão o Arquipélago do Havaí e o Parque Nacional de Yellowstone.
No caso dos Grandes Lagos, o hotspot de Cabo Verde aqueceu e esticou a crosta. E isso causou uma depressão na topografia da região.
A pesquisa revelou que a interação do ponto quente com a crosta sob os Grandes Lagos deixou marcas detectáveis até hoje. Entre elas, está uma deformação chamada anisotropia radial. Ela altera o comportamento das ondas sísmicas na área.
O ponto quente de Cabo Verde esteve sob o atual Lago Superior entre 300 milhões e 225 milhões de anos atrás. O, digamos, trajeto foi o seguinte:
Os vestígios do hotspot explicam peculiaridades sísmicas na crosta sob os Grandes Lagos, descobertas pela equipe de Li. E a deformação detectada combina perfeitamente com o movimento do continente sobre o ponto quente, conforme reconstruções tectônicas apontadas por Jonny Wu, também da Universidade de Houston.
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