
Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (5) na revista GigaScience mostra uma vitrine de órgãos sensoriais evolutivamente projetados revelada em imagens de alta resolução da cabeça de um Proteus anguinus, uma salamandra cega que habita exclusivamente águas subterrâneas das cavernas dos carstes da Europa. Por sua aparência física única, esse anfíbio era chamado, por volta de 1600, de “dragão bebê” pelos moradores locais.
Esse animal é uma obra-prima evolutiva de um conjunto incomum de adaptações para sobreviver em cavernas sem luz. Realizada por uma colaboração internacional liderada pelos cientistas tchecos Jozef Kaiser e Markéta Tesařová, a pesquisa teve como objetivo obter informações detalhadas sobre essas mudanças evolutivas incomuns.
Usando exames de microtomografia computadorizada de raios-X (microCT) para produzir reconstruções 3D do tecido mole na cabeça da salamandra, os cientistas puderam visualizar diretamente as extensas mudanças que ocorreram no organismo do animal ao longo do tempo.
Vivendo em carstes na Europa central e sudeste – um tipo de formação rochosa organizada ao longo de milênios que tem como principal componente o calcário, mas também podem ser encontradas composições de mármore e dolomita – o proteus também é conhecido como “olm” ou “peixe humano”.
Com esse novo estudo, vem à tona extensos detalhes dos mecanismos evolutivos únicos do proteus. Além disso, como essas imagens e modelos 3D são dados digitais, cientistas de todo o mundo também podem acessá-los e usá-los em suas próprias pesquisas, o que é particularmente valioso, dado que as amostras físicas são quase impossíveis de compartilhar, devido à raridade dos animais.
Reconstruções 3D coloridas e um modelo online fácil de explorar (que também é acessível usando um óculos de realidade virtual), além de um resumo em vídeo mostrando imagens reais e animadas, ajudam a destacar as principais descobertas da pesquisa.
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