Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de agosto de 2022 · 2 min de leitura ·

Lua pode ser filha da Terra? Rochas encontradas na Antártida podem ser a resposta

Lua pode ser filha da Terra? Rochas encontradas na Antártida podem ser a resposta

Uma nova análise de seis meteoritos lunares encontrados na Antártida traz a primeira prova definitiva de que a Lua herdou elementos químicos do interior da Terra. 

Publicada nesta quarta-feira (10) na revista Science Advances, a descoberta endossa a ideia de que o nosso satélite natural nasceu quando alguma coisa extremamente forte bateu na Terra num passado distante, hipótese conhecida como teoria do impacto gigante.

Durante uma pesquisa de doutorado na Universidade Técnica de Zurique (ETH Zurich), na Suíça, Patrizia Will descobriu traços de hélio e neon — ambos gases nobres, que raramente se ligam a outros elementos — em seis meteoritos lunares da coleção Antártica da NASA.

Segundo o site Space.com, os meteoritos são compostos de uma rocha vulcânica chamada basalto, que se formou como magma do interior da Lua, esfriando rapidamente em seguida. A equipe liderada por Patrizia descobriu que esse processo de resfriamento criou partículas de vidro lunar dentro das amostras que retêm assinaturas químicas de gases solares. 

Depois que o basalto se formou, camadas adicionais de rocha o envolveram, protegendo o vidro de partículas carregadas, tanto aquelas do fluxo constante de vento solar quanto aquelas de fora do sistema solar, conhecidas como raios cósmicos. De acordo com o estudo, o isolamento preservou essa impressão digital e garantiu a origem dos gases presos no interior.

A captura das impressões digitais de hélio e neon nos meteoritos foi possível graças a um espectrômetro de massa de gás particularmente sensível. “Encontrar gases solares, pela primeira vez, em materiais basálticos da Lua que não estão relacionados a qualquer exposição na superfície lunar foi um resultado muito emocionante”, disse Patrizia em um comunicado.

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