Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Missão tripulada da SpaceX leva bactérias causadoras de doenças à estação espacial

Missão tripulada da SpaceX leva bactérias causadoras de doenças à estação espacial

Na última sexta-feira (1), conforme noticiado pelo Olhar Digital, a SpaceX lançou a missão Crew-11 para a Estação Espacial Internacional (ISS), sob contrato com a NASA. Entre os diversos experimentos científicos levados ao laboratório orbital pela espaçonave, está um projeto conduzido por pesquisadores israelenses que tem por objetivo investigar como bactérias se comportam no espaço, onde não há gravidade como na Terra.

Coordenado pelo Centro Médico Chaim Sheba, localizado em Ramat Gan, distrito de Tel Aviv,  em parceria com a empresa de tecnologia espacial SpaceTango, dos EUA, esse experimento vai ajudar os cientistas a entender como o ambiente espacial afeta bactérias ligadas a doenças humanas. Em especial, os pesquisadores querem saber se a microgravidade altera a forma como esses microrganismos se desenvolvem, se tornam mais agressivos ou resistentes a antibióticos.

Na ISS, três espécies bacterianas serão cultivadas em condições de baixa gravidade: Escherichia coli (E. coli), Salmonella bongori e Salmonella typhimurium. Ao mesmo tempo, amostras idênticas são cultivadas na Terra para comparação. O experimento deve revelar como o espaço pode mudar o comportamento genético desses microrganismos.

De acordo com Ohad Gal-Mor, chefe do Laboratório de Doenças Infecciosas do Sheba, já se sabe que bactérias agem de forma diferente no espaço. Elas podem crescer mais rapidamente, se tornarem mais resistentes a medicamentos e apresentar maior virulência — ou seja, capacidade de causar doenças. “Os insights que obteremos ampliarão nossa compreensão dos riscos de doenças infecciosas em viagens espaciais e também ampliarão nosso conhecimento sobre regulação gênica e fisiologia bacteriana em geral”, disse ele em um comunicado.

Depois de cultivadas em órbita, as bactérias serão congeladas a -80 °C e enviadas de volta à Terra para análise. Os cientistas vão estudar como os genes dessas bactérias se expressaram e o que isso pode representar para a saúde dos astronautas em missões de longa duração.

Astronautas sofrem com mudanças no sistema imunológico devido à microgravidade, radiação cósmica e ao estresse do isolamento. Isso pode deixá-los mais vulneráveis a infecções. Sendo assim, compreender o comportamento bacteriano no espaço é crucial para a segurança em futuras viagens espaciais.

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