
A origem das colossais pedras de Stonehenge, um dos maiores mistérios arqueológicos do mundo, pode ter acabado de ganhar uma resposta definitiva. Um novo estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, encerra um antigo debate ao demonstrar que não foram as geleiras, mas sim seres humanos pré-históricos, os responsáveis por transportar os megalitos por centenas de quilômetros até a planície de Salisbury, no sul da Inglaterra.
Durante décadas, uma corrente de pensamento — a “teoria do transporte glacial” — sustentava que as pedras características do monumento de 5 mil anos haviam sido arrastadas até seu local atual por mantos de gelo durante a última era glacial.
A nova pesquisa, conduzida por geólogos da Universidade Curtin, na Austrália, aplicou uma técnica de análise mineral de ponta para investigar essa hipótese.
Os cientistas examinaram mais de 700 grãos microscópicos de zircão e apatita — minerais duráveis que atuam como “impressões digitais” geológicas — coletados de sedimentos de rios ao redor de Stonehenge.
A datação desses grãos revelou que suas idades correspondem exclusivamente a formações rochosas locais do sul da Inglaterra, que vão de 1.7 bilhão a 60 milhões de anos. Não foi encontrado nenhum vestígio mineral que coincidisse com a composição das rochas das Colinas de Preseli, no País de Gales, ou da Escócia, de onde as pedras de Stonehenge realmente vieram.
“Esses resultados mostram que as geleiras não se estenderam ao sul o suficiente para alcançar a planície de Salisbury durante a última era glacial”, explicaram os autores. A ausência total desses “grãos alienígenas” enterra a teoria do transporte glacial. A conclusão é inevitável: se o gelo não as trouxe, apenas o esforço humano coordenado pôde fazê-lo.
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