Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Os animais escavadores que podem inspirar novas tecnologias

Os animais escavadores que podem inspirar novas tecnologias

A Universidade de São Paulo (USP) integra um consórcio internacional de pesquisa que investiga o sistema musculoesquelético de animais escavadores e suas possíveis aplicações tecnológicas.

O estudo reúne cientistas de Brasil, Reino Unido, Bélgica e Dinamarca e busca compreender como vertebrados que utilizam a cabeça como principal ferramenta de locomoção se adaptaram ao ambiente subterrâneo — um dos comportamentos ainda menos compreendidos entre esses animais.

Intitulada “Sistema musculoesquelético de animais escavadores que começam pela cabeça: uma abordagem interdisciplinar”, a pesquisa tem como foco as anfisbenas, conhecidas popularmente como cobras-de-duas-cabeças. Esses vertebrados fossoriais utilizam a cabeça para escavar e construir galerias subterrâneas, característica central para a investigação.

O objetivo é analisar como esses animais evoluíram ao se especializar no hábito fossorial, permitindo explorar o desenvolvimento de tecnologias bioinspiradas — sistemas baseados em soluções observadas na natureza —, como robôs escavadores. O estudo também pretende identificar padrões genéticos associados ao desenvolvimento de estruturas corporais com relevância médica, incluindo aplicações em engenharia de tecidos.

A equipe do Lebi inclui o pós-doutorando Vinicius Anelli, responsável pelo estudo morfofuncional e pela análise de dados biomecânicos e morfológicos, a doutoranda Laura Oliveira, dedicada à biologia do desenvolvimento do crânio, além de estudantes de iniciação científica. Há ainda a previsão de contratação de um novo pós-doutorando voltado ao sequenciamento e à anotação genômica.

Segundo Anelli, as anfisbenas apresentam adaptações específicas à vida subterrânea. “As anfisbenas são um grupo bastante diverso de répteis com escamas, que inclui mais de 200 espécies distribuídas por diversas regiões do mundo e bastante abundantes no Brasil. O interessante é que esses animais são muito especializados em viver abaixo da superfície”, afirma.

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