Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Técnica pode ajudar a prever períodos de seca no Brasil

Técnica pode ajudar a prever períodos de seca no Brasil

Um artigo publicado na Geophysical Research Letters indica que a temperatura da superfície do Oceano Atlântico Norte pode ajudar a prever eventos climáticos extremos no nordeste do Brasil com até três meses de antecedência.

O estudo mostrou, com base no conceito de déficit de precipitação (menor quantidade de chuva), que nos últimos anos o nordeste do país recebeu mais influência do Atlântico Norte do que do Pacífico tropical que, até então, era considerado um dos principais intensificadores das secas na região.

Ao mesmo tempo, os cientistas perceberam que as conexões atmosféricas entre o Pacífico e o Atlântico Norte se tornaram mais frequentes, situação que pode atuar como reforço para as secas que ocorreram na região nas últimas décadas.

A pesquisa também considerou que mudanças no uso do solo influenciam esse cenário, pois podem levar a alterações no ciclo hidrológico, como já demonstrado por estudos de modelagem, especialmente em relação à bacia amazônica. Por esta razão, os cientistas sugerem que sejam feitas novas pesquisas usando a metodologia desenvolvida para investigar como as mudanças no manuseio da terra alteram as características e interações climáticas.

Em declaração concedida à agência FAPESP, o cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e co-autor do artigo, Lincoln Muniz Alvez, declarou que “o estudo foi motivado pela grave seca que durou de 2012 até 2015. Este longo período nos levou a pensar, do ponto de vista meteorológico, sobre como as temperaturas tropicais dos oceanos influenciam o clima. A diferença agora é a metodologia inovadora que explora os contrastes entre o Pacífico e o Atlântico, e o padrão de seca no Nordeste do Brasil”.

A seca citada pelo pesquisador foi tão intensa que destruiu plantações da região e deixou cidades e vilas sem água.

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